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A Universalidade da Epístola de Paulo aos Efésios PDF Imprimir e-mail
OTIB - PRESIDENTE
27-Jun-2008
INTRODUÇÃO
Ao Estudarmos a epístola de Paulo aos Efésios vemos que ela se destaca pela universalidade do seu conteúdo, não só à igreja em Éfeso, mas a todas as igrejas sob a liderança pastoral de Paulo, bem como a toda a Igreja de Deus em todo o mundo e em todos os tempos. O caráter universal dessa epístola é percebido pelo plano da salvação proposto por Deus desde a fundação do mundo e que alcança a toda criatura humana, independente de raça, cor ou nação. Esse plano não discrimina judeu nem gentio, mas coloca todos debaixo da graça imensurável de Deus em Cristo Jesus.
I. O FUNDAMENTO HISTÓRICO
Nos capítulos 19 e 20 de Atos dos Apóstolos está narrado o episódio que levou o apóstolo Paulo a passar três anos na cidade de Éfeso, cidade a qual dispensou um bom tempo de seu ministério. Diz o relato bíblico que "a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia" (At 19.19-20). “19 Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de todos, e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata.20 Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.” 

 

A operação divina por meio de Paulo em Éfeso alvoroçou os adeptos do culto a Diana, que tinha seu templo na cidade (At 19.23-41).
1. O aspecto circunstancial. Quando Paulo escreveu a epístola aos Efésios, estava preso em Roma, de onde a enviou àquela igreja através de Tíquico, por quem, também, enviou as cartas a Filemom e à igreja de Colossos, provavelmente entre 61 e 63 d. C. É considerada uma das "cartas da prisão" porque as escreveu enquanto estava preso em Roma. Na primavera de 63 d.C., provavelmente, foi liberto.
2. O aspecto geográfico. Éfeso ficava situada na costa ocidental da antiga Ásia Menor, hoje parte da Turquia e que ficava distante de Atenas, na Grécia, apenas 240 quilômetros. Naquela época Éfeso era uma importante metrópole pertencente ao Império Romano e que chegou a ter uma população de aproximadamente 300 mil habitantes. Éfeso era uma próspera cidade, com porto de mar, o qual favorecia a peregrinação obrigatória dos adeptos dos deuses pagãos daquela região, tais como Diana (cultuada entre os gregos como Artêmis). A indústria e o comércio de Éfeso atraíam gente de todas as regiões adjacentes.

II. IDENTIDADE E DESTINATÁRIOS
Os dois primeiros versículos da epístola constituem a saudação do apóstolo Paulo. Naquela época havia uma forma peculiar de se iniciar uma carta contendo no começo o nome do autor e em seguida o destinatário.
1. A identificação de Paulo (v.1). Ele começa, como era o costume da época, usando o prenome Paulo e, a seguir, além de sua identificação pessoal, apresenta os títulos que identificavam o seu ministério apostólico. "Apóstolo de Jesus Cristo". "Apóstolo" foi o termo que Jesus aplicou aos doze primeiros obreiros que Ele chamou dentre os discípulos. Paulo não tinha falsa modéstia, nem tinha em seu coração qualquer atitude de vaidade e presunção, aplicando a si mesmo um título sem merecê-lo. Paulo esclarece que seu apostolado não veio de homens, mas "pela vontade de Deus". Ele exalta a vontade de Deus porque ela expressa a soberania divina na edificação e destino da Igreja de Cristo. Se o título de apóstolo dependesse apenas da vontade de homens Paulo não teria a aprovação do Espírito Santo no seu ministério.
2. Os destinatários (v.1). Paulo saúda os cristãos de Éfeso chamando-os de "santos" e "fiéis". São dois termos típicos aplicados aos cristãos através do Novo Testamento. A Igreja é constituída de "santos e fiéis". Ao tratar os cristãos de Éfeso como "santos", o apóstolo reforçava a posição desses cristãos em relação à idolatria daquela cidade. Eram santos porque eram separados da vida mundana de Éfeso. Eram chamados fiéis porque não se deixaram levar pela força demoníaca que dominava os habitantes da cidade e os escravizava ao paganismo.
3. A saudação peculiar da Igreja primitiva: "graça e paz" (v.2). O apóstolo Paulo usava estas palavras em suas saudações em todas as epístolas enviadas às igrejas. Na tradição judaica usava-se apenas a palavra "paz" (shalom, no hebraico), mas Paulo por inspiração divina, adicionou a palavra "graça" à já conhecida "paz", e deu à saudação cristã um sentido muito especial: "graça e paz". Os crentes em Cristo têm agora a "paz" da parte de Deus Pai, mas obtiveram a "graça" por Jesus Cristo.

III. BÊNÇÃOS E PRIVILÉGIOS EM CRISTO
O versículo 3 abre o cortejo de "todas as bênçãos espirituais em Cristo". O apóstolo começa com uma exclamação de louvor e adoração ao Senhor, demonstrando que a vida cristã só tem sentido se tivermos sempre uma atitude de reconhecimento e ação de graças ao doador de todas as bênçãos:
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo".
1. A fonte das bênçãos (v.3). A palavra "bendito" torna exclusiva e singular a fonte de todas as bênçãos que é Deus Pai. Só Ele é digno de ser bendito porque somente Ele é o perfeito doador de bênçãos. A fonte é original. Não é imaginária, nem falsa. Ela é identificada como "o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". Por três vezes nesse mesmo capítulo a Palavra de Deus nos ensina que a finalidade de todas as coisas realizadas por Deus é o louvor da sua glória (Ef 1.6-12-14).
2. O caráter das bênçãos (v.3). "O qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais". As bênçãos de que trata a Bíblia aqui, tem uma total abrangência mediante a palavra "todas", porque essa palavra refere-se, não à coisas naturais e materiais, mas essencialmente, espirituais. As bênçãos espirituais em Cristo estão acima de todo e qualquer bem físico ou material. As riquezas de que fala o apóstolo são espirituais, porque, na ealidade, Paulo não tinha nada materialmente. Sua fé e confiança estavam depositadas na contemplação das riquezas espirituais. Lamentavelmente, esse texto tem sido interpretado erradamente, como se referisse às riquezas materiais, como sendo bênçãos espirituais. Cuidado com a falsa teologia da prosperidade.
3. O campo de fruição das bênçãos (v.3). A expressão "nos lugares celestiais" indica a sublimidade da vida cristã, o nível mais elevado no qual fomos colocados. Essas "bênçãos espirituais" são alcançadas evidentemente pelos que, pela fé em Cristo, vivem no plano espiritual (Gl 2.20; Cl 3.3), pois o termo "lugares celestiais" não tem um sentido geográfico, físico ou espacial, mas trata-se de estado e realidade espirituais que são alcançados somente pelos que, por amor e dedicação a Cristo, renunciaram a uma vida carnal e vivem uma vida biblicamente espiritual (Rm 8.1b). Em outras versões da Bíblia usa-se o termo "regiões" que não muda o sentido do termo "lugares". Ser abençoado "nos lugares celestiais" significa ter alcançado um estado de vida espiritual e galgado uma posição espiritualmente acima do plano meramente físico ou material. Em Cristo, o crente é levantado desse mundo tenebroso e colocado numa posição de superioridade. Significa que está por cima, nunca por baixo, o que deve ser uma coisa normal da nova criatura (2Co 5.17).

CONCLUSÃO
Vimos através desta lição o plano de Deus quanto à constituição do seu novo povo, a Igreja. Dentro do propósito divino, ela, seria formada de modo diferente do que Israel, o povo da antiga aliança. Louvemos ao Senhor pelo seu maravilhoso plano para constituir esse novo povo, o qual, embora no mundo, lhe pertence unicamente.